Allan Kardec

Allan Kardec


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Allan Kardec, pseudónimo de Hippolyte Leon Denizard Rivail (1804 - 1869), foi o codificador do Espiritismo. Nasceu em 3 de outubro de 1804 em Lyon (França).
Tornou-se educador e entusiasta do ensino, tendo sido por várias vezes convidado pelo célebre pedagogo Henri Pestalozzi para assumir a direção das aulas, durante as suas ausências. Durante 30 anos (de 1824 a 1854), dedicou-se inteiramente ao ensino e foi autor de várias obras didáticas, que muito contribuíram para o progresso da educação da época.
Em 1855, o prof. Rivail ouve falar pela primeira vez no fenómeno das mesas que giravam, saltavam e corriam em condições tais, que não davam lugar a dúvidas. Passa então a observar esses fenómenos. Graças ao seu espírito de investigação, que sempre foi uma das suas características, pesquisa-os cuidadosamente, e não elabora nenhuma teoria préconcebida, insistindo na descoberta das causas. Aplica aos fenómenos o método experimental com que já estava familiarizado devido à sua função de educador e partindo dos efeitos, chega às causas e reconhece a autenticidade desses mesmos fenómenos. Assim, convence-se da existência dos espíritos e da sua comunicação com os homens.
A partir daí, deu-se uma enorme transformação na vida do prof. Rivail. Convencido da sua condição de espírito encarnado, adota o nome que já tinha tido numa existência anterior passada na Gália (França), em que foi um druida: Allan Kardec.
Entre 1855 e 1869, consagrou a sua vida ao Espiritismo. Sob a assistência dos Espíritos Superiores representados pelo Espírito de Verdade, estabelece as bases da Codificação Espírita no seu triplo aspecto: Filosófico, Científico e Religioso.
Além das cinco obras básicas da Codificação (também chamadas Pentateuco Espírita ou Pentateuco Kardequiano), escreveu ainda outros livros de iniciação doutrinária, tais como: "O que é o Espiritismo", "O Espiritismo na sua mais simples expressão"e "Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas". Já depois da sua desencarnação em 1890, foi publicado o "Obras Póstumas". A estes livros junta-se a "Revue Spirite" ("Revista Espírita"), lançada a 1 de janeiro de 1858 e que esteve sempre sob a sua direcção até desencarnar.
Três meses depois, em 1 de abril de 1858, funda também a "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas", que é considerado como o primeiro Centro Espírita existente, tendo por fim promover estudos que favorecessem o progresso do Espiritismo.
Assim surgiu o Espiritismo: através da ação dos Espíritos Superiores, apoiados na maturidade moral e cultural de Allan Kardec, no papel de codificador.
Com a máxima "fora da caridade não há salvação", Kardec procura realçar que perante Deus todos os homens são iguais, bem como enaltece a tolerância, a benevolência mútua, o perdão das ofensas e a liberdade de consciência.
E a este princípio Kardec junta ainda outro: "Fé inabalável só é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade". E esclarece: "A fé raciocinada que se apoia nos factos e na lógica, não deixa qualquer ponto obscuro: crê-se, porque se tem a certeza, e só se está certo, quando se compreendeu".
Chamado pelo célebre astrónomo Camille Flammarion como "o bom senso encarnado", Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, com 65 anos.
No seu túmulo, no cemitério Père Lachaise (Paris), uma inscrição sintetiza o conceito evolucionista da Doutrina Espírita: "Nascer, Morrer, Renascer ainda e progredir sem cessar, essa é a lei".

Nascer, Morrer, Renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei.