Quando chegamos à Doutrina Espírita, quase todos nós ficamos imediatamente cientes de que devemos praticar o bem. Na verdade, os ensinamentos de Jesus dizem-nos que fazer o bem é a condição “sine qua non” para subirmos os degraus da evolução espiritual.

Entre os ensinamentos que o Mestre nos deixou, está um que nos alerta especialmente para o relacionamento fraternal que devemos ter com o nosso próximo. É aquele que diz que “a cada um será dado conforme as suas obras”, o que significa que o adiantamento espiritual está condicionado pela nossa maior ou menor dedicação à prática do bem. Os sem-abrigo, as crianças abandonadas, os desamparados e muitos outros, fazem parte dum contigente de irmãos nossos que precisam de sobreviver material, moral e espiritualmente.

E embora o Espiritismo nos ensine que a dor nunca bate à porta errada (porque a Lei de Causa e Efeito é inexorável), nós tentamos conciliar o que nela estudamos e aprendemos com o que vemos à nossa volta diariamente e, por tal motivo, temos uma enorme vontade de diminuir o sofrimento dos nossos semelhantes que, nesta encarnação, foram menos bafejados pela “sorte”.

Mas, infelizmente, é preciso reconhecer que nem sempre damos com verdadeiro Amor, com aquele Amor que apenas quer ajudar, sem ter outra coisa em mente que não seja isso.

Com efeito, por trás da nossa benemerência, quase sempre esconde-se o grande desejo de – por este método – conseguirmos um bom lugar no Além, numa colónia espiritual…

Matamos a fome e vestimos o nu, contudo, esquecemo-nos do que disse Paulo de Tarso: “mesmo que eu dê todos os meus bens para alimentar os pobres, se não tiver caridade, de nada me serve”.

É evidente que não devemos abandonar nunca a assistência material ao nosso próximo; pelo contrário, este trabalho, juntamente com o empenho de melhorar as condições de vida dos mais necessitados, deve ser sempre uma das bandeiras dos espíritas; no entanto devemos perceber que, se a miséria material nos sensibiliza, a miséria espiritual pede-nos uma ajuda ainda mais urgente!

É que a assistência moral e espiritual tem também uma enorme importância.

Não podemos nem devemos esquecer, que precisamos de converter os nossos corações ao bem, ao trabalho, à pureza de sentimentos, e ao conhecimento doutrinário, através do estudo.

Sem a evangelização, tanto aqueles a quem prestarmos assistência, como nós próprios, iremos ter dificuldade em perceber e praticar a caridade, tal como esta nos é exemplificada por Paulo.

É Emmanuel quem nos diz, no seu livro Roteiro, psicografado por Chico Xavier, que “a maior caridade que se pode fazer é a de divulgar a Doutrina Espírita”. Como Espírito Superior que é, ele sabe que logo que o homem se esclarece através dos ensinamentos do Espiritismo (que são os mesmos que Jesus nos deixou), já está em condições de percorrer o caminho pelos seus próprios meios.

Um dia, quando toda a humanidade compreender quão grandiosa é esta Doutrina, irá crescer moral e espiritualmente e, nessa altura, a assistência social deixará de existir.