O que é o Espiritismo




O Espiritismo (com e maiúsculo) ainda é muito mal conhecido em Portugal.
Na realidade, é uma Doutrina que trata da origem e da natureza dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo material (visível), através de um conjunto de princípios e de leis reveladas por diversos Espíritos Superiores, que estão contidas nas obras que Allan Kardec coordenou e que constituem a chamada Codificação Espírita, a saber: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, o Céu e o Inferno e A Génese.
O Livro dos Espíritos, publicado em Paris a 18 de Abril de 1857, é a obra básica do Espiritismo (todas as outras partem dela) e contém os princípios de uma filosofia espiritualista sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e as suas relações com os homens, as leis morais, a vida actual, a vida que há-de vir e o futuro da humanidade, conforme os ensinamentos transmitidos por Espíritos Superiores através de vários médiuns e que, como acima se diz, foram recebidos e coordenados por Kardec. Não se trata, portanto, da obra de um homem, mas sim da de vários espíritos desencarnados, que inauguraram uma nova era na humanidade: a Era do Espírito.
Neste sentido, é errado dizer-se que Kardec fundou o Espiritismo. Antes dele, já este existia; mesmo na Bíblia, no Antigo Testamento, deparamo-nos muitas vezes com casos mediúnicos relatados nos seus vários livros. Não fundou o Espiritismo, mas foi ele que adoptou os termos “Espírita” e “Espiritismo” e foi ele que, através da Doutrina Espírita, explicou os factos que os Espíritos apresentavam ao mundo.



Embora tenha publicado outras obras (O que é o Espiritismo, Revista Espírita, A Prece, etc.) as cinco que acima se mencionam são as principais e as que constituem o ABC da doutrina.
Mas o Espiritismo é também o Consolador prometido por Jesus (cf. Evangelho segundo S. João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26) que veio, no momento próprio, relembrar e completar o que Jesus nos ensinou, trazendo agora à humanidade as bases reais para a sua espiritualização. Ao ter por base e fundamento a moral Cristã, a Doutrina Espírita é a restauração do Evangelho de Jesus, e veio revelar conceitos novos e mais profundos sobre Deus, o universo, os homens, os espíritos, e as leis que regem a vida.
Explica quem somos, de onde viemos, para onde vamos, qual é o objectivo da nossa existência e, também, qual é a razão da dor e do sofrimento. Jesus é o guia e o modelo de toda a humanidade. A moral que Ele nos ensinou e exemplificou é a expressão mais pura das Leis de Deus e o roteiro seguro para a evolução de todos os homens. Assim, a aplicação dessa mesma moral, é a solução para todos os problemas e o objectivo a ser atingido pela humanidade. E a oração é uma grande ajuda, porque se for feita com sinceridade, fervor, e fé, Deus vai enviar Espíritos para ajudarem e tornarem mais forte o homem na sua luta contra o mal.
  • 1- A existência de Deus como Primeira Causa de todas as coisas.

  • 2- A existência dos espíritos como seres imateriais e imortais, que conservam a sua individualidade após a morte do corpo físico.
  • 3- A evolução constante dos espíritos, em direcção à perfeição divina, que é o único determinismo da vida.
  • 4- A reencarnação , como mecanismo fundamental para a evolução dos espíritos.
  • 5- A mediunidade, como um meio natural de comunicação com os espíritos desencarnados e, também, como uma faculdade igualmente natural, que é inerente a todos os seres humanos. O Espiritismo utiliza esta faculdade como um meio de aprendizagem e de evolução, e apenas com base nos princípios da doutrina e dentro da moral cristã. A prática da mediunidade não é a espinha dorsal do Espiritismo, mas uma via por onde este procura ajudar o próximo e conhecer a verdade. Praticar a mediunidade não torna ninguém espírita.

  • 6- A moral cristã, sobre a qual se apoia a conduta do verdadeira espírita. Kardec diz a este respeito: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as suas más tendências.”
  • 7- A pluralidade dos mundos habitados, e não apenas da Terra; além do mundo material, moradia dos espíritos encarnados, existe também o mundo espiritual, moradia dos espíritos desencarnados. O universo está totalmente ocupado com diversos tipos de mundos em que habitam seres que se encontram em diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos, e menos evoluídos do que o homem.
O homem é um espírito encarnado num corpo material e perecível. Os espíritos (que são seres inteligentes e imortais) são criados por Deus simples e ignorantes, irão reencarnar tantas vezes como se demonstre ser preciso para a sua evolução moral e intelectual, e evoluem sempre. Nas suas múltiplas existências podem parar na sua evolução, mas nunca retroceder. E a rapidez da sua evolução é directamente proporcional ao esforço que para tal empreguem.
Os espíritos existem em diferentes graus de perfeição moral, conforme o progresso que já atingiram: Espíritos Puros, Espíritos Bons e Espíritos Imperfeitos. As suas relações com os homens são constantes: os Espíritos Bons atraem para o bem; os Espíritos Imperfeitos instigam ao mal, ao erro. Mas como o homem é criado por Deus com o livre-arbítrio, ou seja, com a liberdade de decisão para agir, a sua vida futura será a consequência das suas acções de hoje ou de ontem, proporcionando-lhe dores e alegrias, de acordo com o comportamento que tenha tido de respeitar, ou não, as Leis de Deus.
O Espiritismo tem também como regra outro ensinamento de Jesus: “Dá de graça o que de graça recebeste” (cf. Evangelho segundo S. Mateus, cap. X, v: 8). Por isso, todos os actos praticados nas Casas Espíritas são grátis. Para além disso, nas suas reuniões não usa nem altares, nem imagens, nem velas, nem incenso, nem amuletos ou quaisquer outros rituais.
Respeita todas as religiões e doutrinas, dando valor a todos os esforços que se fazem para a prática do bem, e trabalha para que haja paz e convivência fraternal entre todos os homens, seja qual for a sua raça, cor, nacionalidade, crença religiosa ou níveis cultural e social.